Dia 20 de julho é um dia dedicado para celebrar as amizades e os grandes amigos. Eu, como uma boa rebelde - quase sem causa- não me atento muito a essas datas especificas de comemoração. Sou mais adepta dos instantes, dos momentos, das riquezas diárias, o que faz de mim uma romântica profunda e quase sempre "piegas". Meus amigos até podem testemunhar sobre isso...
Mas hoje me senti envolvida com a comemoração e até empenhada em me juntar a festa das redes sociais. Contudo, antes de qualquer demostração midiática aos meus amigos me peguei namorando cada um deles em meus pensamentos e coração. Pensando em suas qualidades e características únicas, nas suas particularidades irrepetíveis, nas suas formas que se adaptam e se encaixam tão naturalmente às minhas. Me peguei pensando onde os conhecerá...Quando nos encontramos pela primeira vez... Que fato ou momento nos colocou tão juntos e tão conectados...
Neste ato me senti tão rica e tão afortunada que desejei fazer a eles um envio de algo sagrado. Isso, uma transmissão de pensamento, o emanar de energias de amor, uma declaração de alma, uma oração.
E foi nesse instante que algo tão mágico e acalentador me invadiu a mente. Eu também precisava fazer essa homenagem a alguns amigos muitos especias: aos meus amigos imaginários. Pasmem, eu os tenho!
Eu me lembrei que quando criança eu tinha uma amiga imaginária que eu a chamava de Menina. A Menina me acompanhou por um bom tempo. Com ela eu trocava altas ideias, filosofava até. Hoje eu sei que aquilo era brincar de existencialismo. Lembro das meus desabafos a ela, das vezes que disse que estava triste sem ter motivo. Lembro que eu dialogava com ela como se ela estivesse me respondendo. E estava, mas era eu que fazia sua locução. Era ela usando de minha voz para ter espaço.
A Menina foi embora, mas nunca mais fiquei sozinha. Sempre conversei comigo mesma e sempre travei diálogos extensos e profundos acerca de minhas inquietações, angustias, medos e euforias.
Têm também os cadernos, os diários... Quer dizer, até hoje os tenho. Amigos que sempre me receberam de portas abertas. Ou melhor, de páginas abertas. Depois que ouvi a musica "caderno" do Toquinho, tive certeza que eles eram vivos e meus fieis companheiros.
Pois bem, mas a aventura de amigos fantásticos estava só começando...
Quando fiz minha formação de contadora de histórias e travei um diálogo com uma bonequinha que se chamava Ancestralina, pronto! As portas da fantasia foram escancaradas! De lá para cá, fico atenta a bonecas e personagens inanimados que me convidam para uma proza. É assim, lá estou eu andando pela feirinha e de repente eles me convocam e me escolhem como amiga, e, então, passam a morar nas prateleiras do meu cantinho amado. Isso quando não vem para o lado da minha cama.
Sou uma mulher de 32 anos que, de vez em quando, dorme agarrada com bonecas. Espera, não com bonecas, mas sim representações e símbolos de mim. Partes de mim que estou a conhecer, a me relacionar, a me ouvir.
A Graciosa foi a primeiraboneca , hoje eu tenho o Alfredo, a Masu, a Astrid, o Salamão, a Maria, a Ana Luz e a Margateth. Espero que não esteja esquecendo de ninguém... Alguns vieram a mim por intermédios de pessoas muito especiais, foram verdadeiros presentes. Aliás, adoro ganhar essas companhias. Fica a dica! rsrsrs
Cada um tem um perfil, características, peculiaridades, e, assim como meus amigos humanos, entraram em minha vida em momentos específicos e especiais. Transformaram o trivial em significativo e marcaram minha vida com um negocinho chamado: encontro.
Preciso ainda citar os tantos outros que não se materializaram em bonecos, mas que habitam meu mundo interno: Filip, Joana, Carmem, Athena, Raposas,.. Também com eles houveram encontros lindos permeados de emoção e muitas vezes de dor. Mas, são meus amigos e como bons amigos estão sempre ao meu lado. Quer dizer, sempre dentro de mim, me guiando e me dando vozes diretivas e sábias. São minhas vozes internas.
O interessante foi que; em meio a essa divagação toda me dei conta de que eles são mesmos meus amigos fiéis, já eu com eles... deixo a desejar. Pois, nem sempre silencio para escuta-los, nem sempre sigo seus conselhos, nem sempre confio neles, nem sempre acredito neles... Vários são os períodos que os abandono às margens de mim.
Tá aí, esse 20 de julho traz mais do que uma comemoração da amizade, me traz os seguintes questionamentos: Como está sua amizade consigo mesmo? Tem sido digna dos que habitam seu interior? Tem sido humilde em escutar-se?
E foi então, após todo esse inventário de vida e de existência, que tive a certeza, mais que certa,que amizade é coisa linda, pura e mágica. E que ter amigos, sejam os de carne e osso, de magia e fantasia, de pêlo e focinho, é uma das coisas mais sagradas da condição humana. Termos a capacidade de cativar e sermos cativados nos mostra quão profundos e belos podemos ser! Afinal, nos tornamos eternamente responsáveis pelo que cativamos né!?
quinta-feira, 20 de julho de 2017
quinta-feira, 13 de julho de 2017
O poder dos sonhos, das fantasias e dos desejos... Só agora minha alma entende.
Cuidado com seus desejos! Seres mágicos podem ouvir e
atendê-los. Estará preparado para que a realidade se faça baseado em sonhos? Terá
estrutura para vivenciar ao invés de só sonhar?
Não se engane! Para que um sonho se transforme em realidade você terá
de se transformar.
Somente agora eu entendo porque muitas vezes não passamos de um
bando de loucos correndo atrás de fantasias e ilusões... É pelo simples fato de
não termos coragem de nos modificar.
Temos o infantil entendimento de que devemos deixar a vida
fluir e acontecer, de que o que tiver de ser assim será... Pobre de nós!
Achamos que a natureza está aí para satisfazer nosso bel prazer.
É com dor e até com raiva que descubro que desejos, fantasias,
sonhos são formas naturais sim de nos mover, mas vão além disso. São formas naturais de nos refazer, de nos modificar,
de nos moldar e lapidar ao então, tão citado e quase idolatrado, fluxo natural do
universo.
Para ser digno dessa vida fluídica é preciso se equacionar a
ela. É preciso estar imersa e a mercê dela. É preciso aceitar as operações sem
anestesias que ela nos opera.
Quando algo muito profundo e verdadeiro tocar a sua alma, te
levar ao céu e ao mesmo te conduzir ao inferno, respire fundo... Você está tendo
a oportunidade de expansão, crescimento, evolução. Você foi premiado!
Mas cuidado! Recado aos ingênuos e prepotentes: se foi
tocado e persistir em manter-se o mesmo que sempre foi, com seus valores e ideais,
com suas vontades egóicas e saberes cristalizados, com um ledo orgulho de sua
personalidade, lamento informar que do inferno nunca mais sairá.
Seus desejos e
fantasias se intensificaram de tal forma, com tamanha proporção que você terá
certeza que estará a enlouquecer. Chegará um ponto em que tentará fugir dessas
sandices, como diabo foge da cruz. Chegará a odiar ter desejado, sonhado,
imaginado... Você achará que é o criador
de tudo isso e que por isso poderá tudo destruir,
mas o que não sabe é que são eles (sonhos, ilusões e desejos) que o obtiveram e
é eles que estão a te (re)criar. Fugir e negar é dar eles força sobrehumana.
Olhando bem e de forma carinhosa, é uma graça. Mas quando
invadido e arrombado e tendo sua sanidade e paz perturbada, não há outra
palavra que represente melhor senão a “desgraça”.
Eu sonhei, eu desejei, eu imaginei e o inferno eu conheci.
Ninguém me avisou disso que agora eu os alerto. Ao contrário, me disseram que
não há reconhecimento do AMOR sem a dor, e que eu deveria continuar minha jornada no inferno. Pensando bem, acho
que eu, na minha inflexível personalidade, posso ter interpretado de forma
errado as tais falas...Vai saber! Quando
se recusa a mudança a gente consegue traduzir tudo o que nos vem conforme o entendimento
que nos convém.
Sim, acredito que a passagem pelo inferno é salutar. Dor
ensina amor. Pois, como bem lembra meu velhinho amando;
Mas escolher ficar lá por apego ao que é, ao medo de se transformar, à ignorância dos diversos fatores a nos influenciar... Isso é intransigência, é
crueldade, é desamor.
Eu desejei fazer alma, eu desejei encontrar pessoas, eu
desejei ter amores... Eu desejei ter relações profundas, eu sonhei e sonho ser
a diferença...
E...cheguei a me praguejar, a me sufocar, a me machucar por querer
desfazer todos esses lampejos. Era dor demais sonhar e sonhar. Era dor demais ficar
acorrentada em desejos, a habitar o inferno.
Eu não entendia que estava sendo cruel comigo.
Mas agora sim, agora vejo que eles são mais que minha oportunidade de
realização, mais que meus diabos de estimação... Eles são o meu EU que ainda
irei ser.
A vida apresenta necessidades para que você sonhe, deseje e
imagine... E você deve respondê-la com uma decisão consciente: Aceita sonhar e
se transformar para realizar ou prefere o descaso e a negligencia e logo a
idealização fantasiosa e infernal?
Fico pensando e imaginando que quando o gênio da lâmpada saía
depois que a mesma era esfregada certamente ele dizia: Você está consciente de
que a partir desse instante para receber a realização de seus desejos terá de
trilhar seu caminho interior?
Aceite sua designação. Se mediante as necessidades foram aqueles
sonhos e fantasias que lhe falaram ao coração, foram aquelas pessoas que arrombaram sua razão.. Seja fiel a essas vozes e a essas doces ilusões. Se essas imagens te escolheram para te coabitar, certamente é porque você é capaz de ir onde nenhum outro poderá. Assuma
esse compromisso contigo!
Tenha coragem para se modificar, se transformar e não voltar
ao que era... Tenha coragem para escolher ser diferente! Tenha coragem de
sonhar e seguir seus sonhos...
Eles te conduzirão para muito além da realização... Se tiver
empenho eles te conduzirão para o seu EU Futuro.
Um desejo é a profecia do que irá se tornar! O acolha...
sexta-feira, 2 de junho de 2017
QUISERA EU...
Talvez, quando eu tiver 60 anos eu deixe de ligar para o que vocês pensam e falam sobre mim.
Talvez, quando eu tiver uns 10 anos de análise eu seja tão bem resolvida que não me importe se agrado ou não.
Talvez, quando eu conseguir concluir minha carreira acadêmica e ter bagagem teórica que sustente meus raciocínios eu não fique apreensiva por estar destruindo seus castelinhos de areia.
Talvez...
Vai que com mais algumas décadas vocês consigam de fato me cristalizar, me adiamantar, me desalmar.
Sério, eu sinto que vocês podem! Eu vejo isso acontecer aos monte. Vejo inúmeras pessoas desistindo da vida porque vocês conseguiram que elas desistissem. Vocês são bons no que fazem!
Eu descobri que sou fruto de uma geração que perdeu a alma, e que, as pessoas não contente em perder suas almas, fazem de tudo para que os que ainda as têm também as percam.
Era segredo que eu sou ALMA. Com medo de me perder ou ser fragmentada eu me sabotei e me esqueci. Era tão segredo, que era segredo de mim mesma.
Para guardar esse segredo, eu desci aos infernos e cumprimentei o diabo.
Para guardar esse segredo, eu perambulei por desertos sem oásis.
Para guardar esse segredo, eu me transformei num cavaleiro de guerra.
Para me guardar e não me dissolver em vocês eu sofri, padeci, chorei, me isolei, agonizei...Eu morri.
Eu escolhi a morte, diversas vezes, a ter que viver como vocês, desalmados!
Eu achei que continuaria a ter essa escolha...
O problema é que alma é um negocinho danado... Ela se cria e se reinventa do pó. Do pó mágico da fada ou do pó das patas de um unicórnio. Ela também se cria do orvalho que beija a flor azul, dos olhos verdes do homem, das palavras mansas de uma mulher.
E por mais que tivéssemos morrido e por mais que eu a sufocasse para não estar com vocês, ela insistia e ressurgia. Eram deslumbres apenas, mas ela não desistia.
Foram tantos os seus pequenos aparecimentos, quando eu já tinha certeza que ela era apenas lenda, que acabei a vendo e descobri que o meu segredo continha outro segredo: A de que a minha alma não cabia mais em minhas paredes internas e que ela queria ir para o mundo.
Eu quero me levar para o mundo e fazer mais alma.
Eu não aguento mais morrer, eu quero é viver!
Ok. Descoberto o segredo de meu segredo arrisquei passos e... logo então fui flagelada.
Vocês podem atribuir a essa dor que me causam o conceito de complexo. Para vocês eu posso ser complexada. Quem não é?
Vocês podem também me categorizar de neurótica.
Se quiserem podem ainda me rotular de exagerada, excêntrica, prepotente, egoísta.. Vão em frente..
Mas sabe o que eu sou?
Eu sou alma em busca de outra alma..
Eu sou pele em busca de outra pele
Eu sou o olhar que busca o seu, mas que você me nega
Eu sou o sorriso a te cumprimentar
Eu sou uma fala buscando um cantinho a se ninhar
Eu sou a discussão buscando por suas ideias e opiniões
Eu sou o respeito a te entender
Eu sou eu buscando você!
Eu quero suas diferenças, desde que elas não queiram me subjugar
Eu quero suas divergências, desde que elas não queiram me doutrinar
Eu quero conhecer você desde que você não queira me anular.
Me deixa ser alma... Me deixa existir sem querer me ferir
Me deixa ser Suellen sem querer que eu seja seu desejo.
Me deixa ser eu.
Eu preciso respirar,
Eu preciso levar minha Alma para passear
Por favor, seja capaz de me compreender.. E me conceda a caridade de não ter sua agressividade contra esse meu jeito de ser.
Eu queria ter a força de existir sem vocês.. Mas sabe qual é a minha sina? Alma só é feliz na companhia de outras almas. E com isso, se só, eu não existo e morro. Ou existo, tendo que me esconder para não revelar a vocês que eu sou AQUELA que vocês perderam ou negaram. E aí, é como se eu também morresse.
Quisera eu ter a força de despertar em vocês o desejo de ser ALMA!
Quisera eu ter um amor tão grande por mim mesma para não sucumbir a força massificante dos desalmados..
segunda-feira, 18 de abril de 2016
A MINHA FORMA DE MANIFESTAR...
Temos vivido em um cenário politico, econômico, social e cultural bastante conflitoso. Há desempregos, inflação, perda de poder aquisitivo, inúmeras preocupações, epidemias, tristeza, desesperança, aumento considerável de violência, posicionamentos inflamados, ataques pessoais, brigas partidárias, brigas de oposições... Em fim, o caos existe e não está pedindo licença para ser visto, está gritando em alto e bom tom que está entre nós! (Em nível macro e micro)
Quero deixar esclarecido que esta postagem não objetiva justificar ou apresentar argumentação a tudo que citei acima, e sim, apenas, ser um desabafo... Um desabafo de uma brasileira, de uma terráquea, de um ser que já não sabe se é humana.
Desta forma, pergunto: O que é ser Humano? Quero mais que explicações anatômicas e sociais comparadas a outras espécies... E, confesso, me agonia saber que talvez eu não consiga chegar a essa resposta.
Tenho me sentido estranha quando comparada com o que tenho visto..
E o que tenho visto? (Por favor, se alguém mais também tem enxergado isso compartilhe seu desabafo e não me deixe só)
Sendo assim, eu vou fazer o seguinte... Vou em busca da "minha" humanidade.
Pode parecer egoísta, excêntrico e prepotente, e talvez, até seja. Se a marca que deixarei no mundo será apenas desabafos, tudo bem! Ainda prefiro isso, do que me corromper a tudo que tenho visto ultimamente.
Vai que um dia, num futuro distante, por alguma circunstância improvável, eu possa ser fonte de tomada de ar para alguém que se assemelha com o meu atual momento.
Sei lá... O tempo, às vezes, me parece atemporal.
Em fim, foi só um desabafo!
Quero deixar esclarecido que esta postagem não objetiva justificar ou apresentar argumentação a tudo que citei acima, e sim, apenas, ser um desabafo... Um desabafo de uma brasileira, de uma terráquea, de um ser que já não sabe se é humana.
Desta forma, pergunto: O que é ser Humano? Quero mais que explicações anatômicas e sociais comparadas a outras espécies... E, confesso, me agonia saber que talvez eu não consiga chegar a essa resposta.
Tenho me sentido estranha quando comparada com o que tenho visto..
E o que tenho visto? (Por favor, se alguém mais também tem enxergado isso compartilhe seu desabafo e não me deixe só)
- Desamor - As pessoas não parecem mais capazes de demonstrar afetividade, compreensão, tolerância.
- Ódio - tenho visto a necessidade de dar troco, revanche, disputa por duelos.
- Individualismo - cada qual preocupado apenas consigo mesmo, no máximo, com os seus parentes mais próximos, e olhá lá heim?!
- Oportunismo - pessoas se privilegiando de situações difíceis e até miseráveis de outrem para que sua fama aconteça.
- Desrespeito - não importa sua vida, sua trajetória, suas lutas, suas dores, suas alegrias.. O que importa é que eu não gosto de você no atual momento, e, tão logo, não merece meu respeito. Aqui o que prevalece são os interesses! Se tenho interesse, te respeito. Se não me interessa, posso por cima de você como um rolo compressor.
- Superficialidade - Tudo tem de ser rápido, instantâneo e negociável... Conversas mais profundas, estudos mais complexos, problemas maiores, relacionamentos difíceis...Tudo isso é perca de tempo, e tempo é dinheiro.
- Antagonismo - Se você não pensa como eu, não age como eu, não vota como eu, não segue a mesma bandeira que eu, você é do contra! Você é do mal! Você é meu inimigo!
- Humorismo - Tudo é motivo de piada! Se o individuo fala errado vira postagem, se acidenta, se sofre um constrangimento em publico, se pisca, se abre a boca, se pensa... tudo é motivo para postagens irônicas e altas gargalhadas...
Em fim, eu poderia incluir facilmente inúmeros itens.
Ah... E se passa por seu pensamento (se é que alguém está lendo isso) que eu esteja propondo com esses exemplos que para ser humano é preciso ter amor, coletividade, empatia, caridade (no sentido verdadeiro da palavra), profundidade, integralidade, bom senso, afetividade e etc. Acertou! Estou insinuando isso sim!
O que eu vejo é que se perdeu a referência do que é ser - humano. Ao que é da espécie humana transferiu-se para os anjos e a nós (seres terrenos) foi permitido ser o que quiser ser. Afinal, estamos em condição de evolução, isto é, de errar e tripudiar a vontade.
"Tudo bem cuspir na cara dele(a), ele merecê mesmo!"
"Tudo bem xingar a mãe dele(a), é politico mesmo!"
"Tudo bem zombar dele(a), é um marginal"
E assim, vamos seguindo na tal evolução... Porque o que importa é não ficar parado. Claro! Numa atual cultura que entende produtividade como movimento, qualquer movimento, mesmo que seja grotesco e desumano está valendo!
E por isso eu desabafo... Eu não sei o que sou!
Se for para evoluir nessas condições, se for para ser humana pautada nessas faltas de critérios, se for para ser respeitada pela posição que ocupo e pela bandeira que levanto... Me recuso a fazer parte dessa falsa humanidade!
Diante de todos os episódios recentes eu me descobri sem lado, sem posição, sem argumentação, sem ideia.. Me senti vazia, insignificante, sem tribo, sem espécie...
O que me acalenta são os filósofos. Leituras de seus desabafos me dão um pouquinho de ar para inflar minha alma e continuar nessa loucura toda...
"Se tu quiseres, tu podes não ter outro Deus senão Deus, não ser escravo de nenhuma ideia, ideologia, imagem ou ilusão. Não existe outra realidade a não ser a Realidade.
Tu podes preferir o real indestrutível à névoa dos teus devaneios.
Tu podes honrar teu pai e tua mãe; eles não são a fonte da tua vida, mas através deles ganhaste o presente da vida.
Tu podes não matar, preferir o perdão ao crime, ser maior que a tua cólera ou que tua honra.
Tu podes não furtar, sentir maior prazer em ser honesto do que amontoar riquezas de forma injusta.
Tu podes não mentir, estar alegre e sem medo diante da verdade.
Tu podes ser livre de todas as tuas cobiças, desejar o que tu possuis, amar o que tu és.
Numa palavra, tu és capaz de amor, tu és capaz de consciência."
Jean-Yves Leloup - Deserto Desertos
Sendo assim, eu vou fazer o seguinte... Vou em busca da "minha" humanidade.
Pode parecer egoísta, excêntrico e prepotente, e talvez, até seja. Se a marca que deixarei no mundo será apenas desabafos, tudo bem! Ainda prefiro isso, do que me corromper a tudo que tenho visto ultimamente.
Vai que um dia, num futuro distante, por alguma circunstância improvável, eu possa ser fonte de tomada de ar para alguém que se assemelha com o meu atual momento.
Sei lá... O tempo, às vezes, me parece atemporal.
Em fim, foi só um desabafo!
domingo, 25 de outubro de 2015
AS LÁGRIMAS QUE CEIFAM A ALMA
Faz alguns dias que me preparo para esse momento, o momento de se sentar para me esvair em palavras, sentimentos e reflexões da vida. Eu sinto necessidade disso, de escrever, de compor. Mas, mais do que isso, de refazer com o coração aquilo que fiz com a razão: o caminho, a trilha, o viver!
Pois bem, a minha vida, mesmo sendo vivida de forma bastante racional, nos últimos tempos tem sido experimentada por essa outra face de mim, que a intitulei de Tereza. Agora quem vive não é somente a Suellen, é a Suellen Tereza!
Tereza é meu segundo nome. Ainda tenho mais um antes do sobrenome, Matilde. Minha mãe me deu os nomes de minhas duas avós, e com isso sou um mosaico. Trago em mim as raízes de minha ancestralidade, a história de gerações que compuseram vidas. Confesso que já odiei meus pais por isso! Fui uma daquelas crianças que nunca entendeu porque os pais tinham homenageado seus afetos atribuindo a terceiros o peso dessa homenagem. Coisa de criança!
Hoje, no auge de meus 30 anos, quando percebo-me somando e constituindo-me, a Tereza que era só o nome de minha vó e só um substantivo próprio do meu nome completo, passa ser a marca, a existência de um novo eu. Tereza tem essência: a de viver o lado irracional da vida.
Segundo o grande mago Google, Tereza significa "natural de Tera", onde Tera é o nome de uma ilha grega antiga que deriva do grego Ther, que significa "animal selvagem"
E a Suellen Tereza tem se aventurado por caminhos inusitados, tem rompido com o pragmático, com o supérfluo e experimentado a solidão de uma vida irracional.
Nunca me senti tão realizada como tenho me sentido! Desafios, aventuras, perigos, enfrentamentos... Essa ousadia de viver o que tiver que ser sem se perguntar "por que" tem me dado cor e dor, mas acima de tudo amor!
Amor para comigo... É tanto amor, que chega vazar pelos meus olhos...
Quanto amor preso, acorrentado e submerso em meus calabouços!
Contudo, mesmo diante dessa oportunidade linda de viver, não obstante, me pego olhando para mim e me repreendendo, me exigindo sensatez e lucidez. Como se toda essa carga da Tereza fosse loucura, irresponsabilidade, estupidez.. Como se toda essa sensibilidade fosse pieguice... E aí, minhas pálpebras, como carcereiro algoz, encerra qualquer oportunidade de libertação, e vou amargando o amor...Que não raro, explode com revolta, como ódio, como desabafo!
Pobre de mim e pobre de nós! Sufocamos nossa sensibilidade em detrimento da razão, nos omitimos para não ganharmos esteriótipo de louco, piegas, descompensado, exagerado, infantil!
Ora, precisamos ser adultos! Aqueles adultos que o aviador cita no Pequeno Príncipe: adultos que adoram números, que identificam os amigos pela idade, pela quantidade de irmãos, por quanto pesa, por onde mora, por qual empresa trabalha, por quanto ganha, por qual é a sua profissão...
Acho que não são somente as crianças precisam ter paciência conosco, mais do que qualquer outra criatura, nós mesmos precisamos de uma grande dose de paciência e ternura para com nossa paupérrima racionalidade.
"Nós, que compreendemos a Vida!!!"
Segundo Saint - Exupery, para compreender a vida é preciso "fazer ideia" de uma casa pela sua descrição: "é feita de tijolos cor-de-rosa, com granitos nas janelas e pombos no telhado".
Ou seja, mais do que entender a vida é preciso imaginar! É preciso sensibilidade para entender o amor através da descrição do que é estar amando, é preciso entender a vida pela descrição de quem a vive, a dor pela descrição de quem a sofre...
Entender-se por sua própria descrição de si mesmo, por sua própria loucura, pelas lágrimas que liberta, pelos sorrisos que distribui, pelos sonhos que cultiva...
Compreendemos a vida quando deixamos de buscar o por que do choro, da tristeza, da morte, da riqueza ou da pobreza, e passamos ao simples processo de vive-la... Chorando todas as vezes que for preciso chorar, surtando todas as vezes que for preciso surtar, gritando todas as vezes que for preciso gritar, evocando o nosso lado infantil para nos salvar do frio, rígido e cruel racionalismo que insiste em nos condicionar em "adultos" desalmados.
E por isso me apodero da seguinte citação: "Os que com lágrimas semeiam com alegria ceifarão"
E assim eu sigo...
Entre racional e irracional, trilhando o meu caminho, certa de que já ceifo inúmeras alegrias, e a maior delas... Minha alma!
Pois bem, a minha vida, mesmo sendo vivida de forma bastante racional, nos últimos tempos tem sido experimentada por essa outra face de mim, que a intitulei de Tereza. Agora quem vive não é somente a Suellen, é a Suellen Tereza!
Tereza é meu segundo nome. Ainda tenho mais um antes do sobrenome, Matilde. Minha mãe me deu os nomes de minhas duas avós, e com isso sou um mosaico. Trago em mim as raízes de minha ancestralidade, a história de gerações que compuseram vidas. Confesso que já odiei meus pais por isso! Fui uma daquelas crianças que nunca entendeu porque os pais tinham homenageado seus afetos atribuindo a terceiros o peso dessa homenagem. Coisa de criança!
Hoje, no auge de meus 30 anos, quando percebo-me somando e constituindo-me, a Tereza que era só o nome de minha vó e só um substantivo próprio do meu nome completo, passa ser a marca, a existência de um novo eu. Tereza tem essência: a de viver o lado irracional da vida.
Segundo o grande mago Google, Tereza significa "natural de Tera", onde Tera é o nome de uma ilha grega antiga que deriva do grego Ther, que significa "animal selvagem"
E a Suellen Tereza tem se aventurado por caminhos inusitados, tem rompido com o pragmático, com o supérfluo e experimentado a solidão de uma vida irracional.
Nunca me senti tão realizada como tenho me sentido! Desafios, aventuras, perigos, enfrentamentos... Essa ousadia de viver o que tiver que ser sem se perguntar "por que" tem me dado cor e dor, mas acima de tudo amor!
Amor para comigo... É tanto amor, que chega vazar pelos meus olhos...
Quanto amor preso, acorrentado e submerso em meus calabouços!
Hoje, cada lágrima que se liberta e rompe as celas dos meus olhos é uma pedaço de mim que se emancipa.
Não sou hipócrita em dizer que só tenho chorado de alegria, pois dores dilacerantes tem sido o maior responsável por essa libertação, mas como diz o poeta: "é ferida que doí, e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer."Contudo, mesmo diante dessa oportunidade linda de viver, não obstante, me pego olhando para mim e me repreendendo, me exigindo sensatez e lucidez. Como se toda essa carga da Tereza fosse loucura, irresponsabilidade, estupidez.. Como se toda essa sensibilidade fosse pieguice... E aí, minhas pálpebras, como carcereiro algoz, encerra qualquer oportunidade de libertação, e vou amargando o amor...Que não raro, explode com revolta, como ódio, como desabafo!
Pobre de mim e pobre de nós! Sufocamos nossa sensibilidade em detrimento da razão, nos omitimos para não ganharmos esteriótipo de louco, piegas, descompensado, exagerado, infantil!
Ora, precisamos ser adultos! Aqueles adultos que o aviador cita no Pequeno Príncipe: adultos que adoram números, que identificam os amigos pela idade, pela quantidade de irmãos, por quanto pesa, por onde mora, por qual empresa trabalha, por quanto ganha, por qual é a sua profissão...
Se vocês dizem a um deles: "Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, com grânitos nas janelas e pombos no telhado" ele não é capaz de fazer uma ideia dessa casa. É preciso dizer a ele: "Vi uma casa que custa uma fortuna!" Então ele se interessa: "Poxa, dever ser maravilhosa!" Portanto, se dissermos aos adultos: "A prova de que o pequeno príncipe existe é que era encantador, dava boas risadas e me pediu um carneiro. Quando alguém deseja ter um carneiro é a prova de que a pessoa existe", os adultos vão nos encarar com indiferença e dirão que isso é coisa de criança! Mas se dissermos: "Ele veio do planeta Asteroide B612", então acreditarão, e não vão mais nos chatear com outras perguntas. Eles são assim mesmo. Nem por isso devemos lhes querer mal. As crianças precisam ter muita paciência com os adultos. Mas, para nós, que compreendemos a vida, os números não têm tanta importância!
O Pequeno Príncipe, capitulo 4
Acho que não são somente as crianças precisam ter paciência conosco, mais do que qualquer outra criatura, nós mesmos precisamos de uma grande dose de paciência e ternura para com nossa paupérrima racionalidade.
"Nós, que compreendemos a Vida!!!"
Segundo Saint - Exupery, para compreender a vida é preciso "fazer ideia" de uma casa pela sua descrição: "é feita de tijolos cor-de-rosa, com granitos nas janelas e pombos no telhado".
Ou seja, mais do que entender a vida é preciso imaginar! É preciso sensibilidade para entender o amor através da descrição do que é estar amando, é preciso entender a vida pela descrição de quem a vive, a dor pela descrição de quem a sofre...
Entender-se por sua própria descrição de si mesmo, por sua própria loucura, pelas lágrimas que liberta, pelos sorrisos que distribui, pelos sonhos que cultiva...
Compreendemos a vida quando deixamos de buscar o por que do choro, da tristeza, da morte, da riqueza ou da pobreza, e passamos ao simples processo de vive-la... Chorando todas as vezes que for preciso chorar, surtando todas as vezes que for preciso surtar, gritando todas as vezes que for preciso gritar, evocando o nosso lado infantil para nos salvar do frio, rígido e cruel racionalismo que insiste em nos condicionar em "adultos" desalmados.
E por isso me apodero da seguinte citação: "Os que com lágrimas semeiam com alegria ceifarão"
E assim eu sigo...
Entre racional e irracional, trilhando o meu caminho, certa de que já ceifo inúmeras alegrias, e a maior delas... Minha alma!
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Um companheiro divino!
Em um momento, num determinado momento, o silêncio nos visita. E entra, e se instala, e faz morada. Quando chega, arranca, sem gentilezas, seus "dons", sua perspicácia, sua eloquência e te condena ao nada, ao vazio, ao branco.
Não há palavras e nem frases de efeitos capazes de traduzir esse momento. O silêncio exige silêncio. De repente não se quer mais falar, explicar ou racionalizar. Aceita-se o novo visitante e faz companhia a ele. Não se sabe o tempo de sua permanência, nem tampouco sua missão.
Acompanhado dele o pensamento desacelera e a língua perde seu movimento. No entanto, a visão ganha lentes de aumento e o ouvido uma sagacidade incrível. Isso, pra não dizer que sentidos adormecidos despertam e te revelam coisas surpreendes. Nessa altura, eu poderia afirmar que o silêncio é um mago que opera magias.
Esse visitante andou em meus terrenos. Confesso que no início me senti um tanto desorientada. Sim, para uma usuária compulsiva, como eu, do aparelho fonador e de recursos possíveis de comunicação, silenciar é quase como cometer um crime, ia contra os meus valores. Mas, com ele eu não tive querer, como diz minha amiga Anita: "aceita que doí menos." Contudo, eu pensava: Seria fogo de palha aquela vertente literária que me incendiava? Onde estava a vontade de contar, de transformar em letras, frases, textos, poesias e crônicas os meus sentimentos, devaneios e tudo mais? Foi só um lance?
(...)
E assim fiquei desde o mês de abril, sem compor, sem vir aqui no blog, sem redigir meus e-mails e até o meu diário pessoal sentiu falta da ponta da minha caneta.
Mas sabe, ele me trouxe algo inédito!
Ele me trouxe a grande sensação de pertencer a mim mesma.
Sempre tive uma louca necessidade de compartilhar, de trocar, de tocar, de acessar o outro. Tudo que me acontecia, desde um leve toque da inspiração até acontecimentos cotidianos, eu sentia necessidade de utilizar isso como uma ponte para algo que eu não entendia muito bem o que era. Uma vontade de gritar pro mundo tantas coisas, tantas ideias, tanto tudo, que sei lá... Fui intensa, ousada, inconsequente, doida, banal. Fui outras coisas também como, insistente, idealizadora, ativista, surpreendente. Porém, não tinha experimentado ser silenciosa. E quando o fui, me senti só, mas completa.
Com ele de companheiro, o silêncio, passei a perceber o quanto medo temos do espaço em branco. Num mundo onde a regra é interagir e se manter conectado o silêncio é vilão, bicho papão que traz acanhamentos e constrangimentos.
Não fomos ensinados a silenciar, apenas falar. Não fomos ensinados a entender e respeitar o silêncio. Ignora-lo foi a ordem! Não conseguimos guardar segredos e nem tão pouco viver mistérios. Temos que ver para crer, materializar o máximo que for possível para guardar, recordar e reviver. Até porque, viver é pouco num mundo de replay.
Penso que o triste disso é o descrédito que temos de nós mesmos. Nos sentimos tão mortos que precisamos evidenciar a todo custo que estamos vivos, e por isso, registramos tudo. Gravamos nossas conversas, digitalizamos nossas imagens, nossos passeios, até o jantar! Pois, incrivelmente fotografar parece guardar o sabor alimento. Tudo precisa ir para a memória infindável da tecnologia para atestar e certificar que: EU VIVI!.
A música do Roberto Carlos ficou ultrapassada, agora não é mais "se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi" e sim "se registrei e publiquei, isso atesta que eu vivi"
Veja a contradição, nos conectamos com o mundo e perdemos o sinal de nós.
Não estou aqui fazendo apologia ao isolamento, ao voto do silêncio ou coisa assim... Apenas, utilizando-se de sua face oposta: a expressividade, para disseminar a sua virtude.
A virtude do silêncio é nos devolver o presente, a vida, a existência.
***Preciso contextualizar que existem pessoas que utilizam do silêncio para ferir o seu próximo. O silêncio é sagrado e não profano. Se existe uma intencionalidade mascarada por traz do silêncio, cuidado!
Dado todo o contexto, afirmo que agora não quero mais viver sem ter o meu estimado companheiro. Ele me possibilitou me libertar das ânsias do ego, atingir uma energia "não pessoal". Essa energia, por sua vez, me possibilitou sentir-me singular, totalizada de meu ser.
Sim, ainda continuarei por aqui e pelos e-mails do meus caríssimos dissertando pensamentos, devaneios e reflexões, mas já não estarei só... E sim, acompanhada de minha intrínseca companhia.
Parece papo de gente louca né? Pois é, eu sou! O meu bom amigo silêncio me revelou isso.
Aos que não experimentaram a mágia do Sr. Silêncio, se permitam...
Guarde seus comentários por um dia, por uma semana, pelo que tempo que conseguir. Guarde suas sensações e pensamentos para você somente. Reflita, utilize sua consciência e perceba-se!
Quando se utiliza do silêncio, você passa de ator para um período interessante de expectador do espetáculo que é a sua vida!
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Eu e o tempo e sua marca...
"Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para goza-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também"
Fernando Pessoa
Mal sabia Fernando Pessoa que seus escritos não só entreteriam como embalariam nossas passagens... Penso que o grande barato de expor toda a possibilidade da alma numa folha recheado de letras é isso; ser relido um dia por outros, se manter vivo, ser alimento e entreter. Nossa, tenho tantos que me fartam e me ajudam nessa passagem... Quem me dera um dia ser como eles! No entanto, tenho brincado de ser poeta e escritora me permitido deixar aqui registrado minhas marcas. Nessa brincadeira já se foi 1 ano, e somando essa postagem, já são 20 ao todo. E assim eu sonho de ser relida por outros... Se não for, tudo bem. Só o fato da inspiração tocar-me o peito já me sinto lisonjeada.
O interessante é que essa inspiração nem sempre é linda e sedosa e perfumada e estelar. Não raro, essa inspiração mais parece um sopro do inferno, do meu inferno interno.
Quem já teve contato com essa assombrosa inquietude? Seria legal receber uns feedbacks.(rsrs)
Confesso, não me sinto tão louca por que ao ler alguns nomes da filosofia, literatura e psicologia percebo que eles também tinham como fiel escudeiro essa inspiração provida dos calabouços de suas almas. É verdade, na maioria deles o dia da diligência chegou bem cedo e muitas vezes de formas bastante incompreensível ao conceito de normalidade, mas foram esses personagens que desbravaram matas e campinas e fizeram caminhos pelos quais hoje andamos sem sofrer infortúnios. Eles foram intensos!!
Será que seria prepotência minha querer também desbravar matas e campinas para fazer caminhos? O meu interesse não é fazer rota de viagem pra ninguém. O meu interesse é fazer a minha rota de viagem.
Até aqui eu vim seguindo a rota que tantos caríssimos me forneceram, que a cultura me deu. Longe de ser ingrata quero apenas separar o joio do trigo, ou seja, separar o que é meu e o que é dos outros que se naturalizou em mim. Não, não quero deixar de construir meu mosaico, minha alma depende dele para alcançar a plenitude, porém estou na busca de identificar qual a minha face que recheia as tantas máscaras usadas por mim.
" Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos"Álvaro de Campos
Entrar em uma nova década tem movimentado em mim muitas reflexões, algumas perdições, poucas certezas, e inúmeras lágrimas.
O que o tempo faz com a gente? Ou seria, o que fazemos com o tempo? O que o demarca verdadeiramente? Será as datas criada por nós ou as aprendizagens que ele fomenta? Ou ainda, outra coisa?
Eu vou arriscar...
Somar anos de vida é ter um vaga-lume na cabeça que passa zanzar dentro dela emitindo um pequeno fecho de luz sobre coisas que estavam em completo breu. Vejo que tem gente que odeia esses adoráveis bichinhos e de tanto despreza-los, os pobrezinhos sepultam sua missão. Eu, ao contrário, acho que até tenho exagerado na tamanha atenção que o tenho dado.
(Vaga Lume entrou em extinção e cabeças pensamentes também.)
Tem momentos que eu rogo para ele sossegar um pouquinho e digo que quero fé e calma, menos sensações confusas. Temporariamente ele me atende, mas dei corda pro danado e se sentindo em casa não pondera quase nada minhas rogativas, e assim ilumina e inferniza meus pensamentos. Graças a Deus meu coração não pensa, se pensasse já teria parado.
Somar anos de vida é viver os infernos. Por isso agora entendo da onde surgem os sábios, são criaturas que entraram no inferno e conseguiram sair. São dotados de riquíssimos conhecimentos, lembrando que são conhecimentos práticos. Quem só viveu de céu não consegue ser sábio.
Somar anos de vida é ver o mundo a cada dia com novos olhos. Já não se precisa percorrer grandes distâncias para novas descobertas. A paisagem não muda, mas a forma de vê-la... Ah, chega ser agoniante. Nunca está lá o que vi ontem, hoje já é diferente.
Somar anos de vida é ter conhecimento de sua chaga, de sua dor, de seu tão terrível sofrimento, porém se ver obrigado a inventar sorrisos. A dor a seco é intragável, mas ministrada com doses de humor se torna remédio.
Somar anos de vida é aprender que aqueles que me amam não amam a minha beleza, inteligência e virtudes, amam o brilho de eternidade no meu olhar. E que esse brilho, quase sempre se destaca na tristeza, nos momentos que a estética dá lugar ao natural.
Somar anos de vida é ter a calma que não se é tão louco, e que sempre haverá outro tão louco quanto eu capaz de entender-me. (Isso é uma das coisas que mais agradeço a Deus. Poder ter encontrado a paz que não se está sozinha,)
Somar anos de vida é apreciar a solidão. Como disse meu estimado Rubem Alves: "Solidão é o ar que se respira quando se entra na paisagem da alma" e completa : " Por isso, quanto mais fundo entramos nas paisagens da alma, mais silenciosos ficamos. "
Sabe, não me enfeitiça colecionar aniversários nem aprendizados. Quero ser amiga do tempo! Que ele me traga aquilo que considere oportuno pra mim.
De nada me serviria tudo que aprendi até o presente momento se não tivesse sido marcado por momentos fortes, vigorosos, abundantes e transcendentes.
Pra mim o grande demarcador do tempo é a Intensidade.
Quero tatuado na pele da minha alma sua marca...
Que seja intenso em quanto dure!
Assinar:
Postagens (Atom)












